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October 28, 2019

Metas para cooperar com o mundo

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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas priorizam uma sociedade mais justa, respeito ao meio ambiente e sustentabilidade. E as cooperativas estão fazendo seu papel.
No ano de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou um documento que foi assinado por 179 países, incluindo o Brasil. De importância crucial para o futuro das nações e da sociedade, ele estabeleceu a Agenda 2030, um conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos a partir de uma longa experiência da ONU em promover uma sociedade mais justa e que respeite o meio ambiente.

São 17 objetivos no total, que convergem entre si. Integram temas como consumo sustentável, mudança climática, desigualdade econômica, inovação, diversidade, paz e justiça. Os ODS se desdobram, ainda, em 169 metas que integram a Agenda 2030.

Plano de ação para a humanidade
Esta Agenda é um verdadeiro plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. E um dos maiores desafios que ela traz é a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema.

Metas adequadas à realidade brasileira
Ainda em 2015, quando as ODSs foram lançadas, o Brasil criou um relatório pioneiro readequando as metas à realidade e às prioridades do País. De um total de 169 metas globais encaminhadas pela ONU, 167 foram consideradas pertinentes ao País. Foram promovidas alterações em 124 destas, adequando-as à realidade brasileira, conferindo mais clareza ao seu conteúdo original, ou quantificando-as com maior precisão. Em alguns casos, foram ampliadas metas já alcançadas pelo Brasil, como a taxa de mortalidade materna – a meta nacional é de no máximo 30 mortes por 100 mil nascidos vivos, contra uma meta global de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos. Também foram incluídos oito novos compromissos, como o que prevê a conservação de pelo menos 25% das zonas costeiras e marinhas.

Cooperação verde
Dentro do mundo do cooperativismo, ações como a do Sicredi estão ajudando no cumprimento das metas da ONU. Este exemplo de preservação do meio ambiente mostra como eles estão fazendo isso e atendendo a cinco metas simultaneamente.

No Paraná, a cooperativa de crédito criou o projeto Ecoeficiência, que tem como objetivo neutralizar as emissões de CO2 de suas agências dos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. A ação concluiu o plantio de nove mil árvores em 2019, que equivalem à neutralização de 3.516,2 toneladas de gases estufa.

As árvores estão no Parque Estadual das Araucárias, área de proteção ambiental que fica entre as cidades de Galvão e São Domingos, em Santa Catarina. “O apoio da Central e das demais cooperativas Sicredi é muito importante porque para nós esse é um momento histórico. O grande objetivo é fazer com que as emissões, que são inerentes a nossa parte operacional (luz, emissões de gás carbônico, consumo de papel), não causem impactos ambientais. Desta forma, estamos contribuindo com a conservação e restauração da natureza”, disse o presidente da cooperativa, Clemente Renosto.

A ação do Sicredi tem conexão direta com as 17 metas sustentáveis da ONU e, isoladamente, atende a pelo menos cinco das metas. Além de contribuir com o meio ambiente, o projeto do Sicredi reforça as raízes nas regiões onde atua. “Muitas empresas acabam optando por realizar ações para minimizar o impacto em lugares distantes, como a compra de créditos de carbono ou reflorestamento em outros países. No nosso caso, essa cerimônia de conclusão apenas comprova a nossa escolha por valorizar as pessoas, os associados e as comunidades onde atuamos, como afirma nossa missão”, explica o presidente Nacional do Sicredi e da Central Sicredi PR/SP/RJ, Manfred Dasenbrock.

A cooperativa mantém, desde 2017, o selo prata do Programa GHG Protocol, que tem parâmetros internacionais de controle de emissões de gases nocivos ao meio ambiente. No Brasil, o programa é coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As empresas devem contribuir com a meta assumida pelo País no Acordo de Paris: o acordo oficial prevê que, até o ano que vem, as emissões de gases sejam reduzidas entre 36,1% e 38,9%. “Independentemente do setor e do tamanho, as empresas causam impacto de acordo com suas atividades. Nosso propósito é sempre buscar melhorias de nossas políticas para darmos o exemplo para os nossos associados e para a comunidade”, ressaltou Dasenbrock.

Como o cooperativismo pode contribuir?
Em março deste ano, o diretor social da ONU, Maxwell Haywood, reuniu-se em São Paulo com líderes do cooperativismo mundial e autoridades brasileiras no Seminário Internacional “O Cooperativismo e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Combinando Impacto Econômico e Social por um Futuro Melhor”.

O evento, promovido pela Unimed do Brasil e pelo Sistema OCB, foi realizado para debater um plano de ações para os próximos anos para contribuir com a busca pelos 17 objetivos sustentáveis.

De início, o debate teve base nas grandes contribuições que as cooperativas podem dar para o alcance das metas, e seu trabalho, que já é feito há 170 anos no Brasil. Basta comparar as metas com os sete princípios básicos do cooperativismo: Adesão livre e voluntária, sem discriminação social, racial, política, religiosa ou de gênero; Gestão democrática por todos os membros; Participação econômica; Autonomia e independência; Educação, formação e informação; Intercooperação e Interesse pela comunidade.

Ninguém fica para trás
“Trabalhemos nas fortalezas das cooperativas enquanto juntamos os esforços para implementar a Agenda 2030 e assegurar que ninguém fique para trás”, disse Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo as agências internacionais, o trabalho humanizado é um mecanismo fundamental para a inclusão e a justiça social, disse Ryder, destacando o trabalho decente como um dos ODS. A ordem é que ninguém fique para trás e todos tenham direito ao acesso ao trabalho decente e bem remunerado.

A semente plantada em nosso País pelo cooperativismo mostra que o trabalho está no caminho certo. No Brasil de hoje, 46% de toda produção do campo passa de alguma forma por uma cooperativa. O cooperativismo é responsável por quase 11% do PIB agropecuário brasileiro. Cooperativas ajudam populações do interior a ter acesso a crédito, luz elétrica, educação e a diversos outros recursos preciosos. Já geram 370 mil empregos diretos em todo o Brasil e estão estimulando uma melhor distribuição de renda. Desse jeito, as 17 metas não parecem tão inatingíveis.


Conheça as 17 metas
1. Erradicação da pobreza: a ideia é acabar com a pobreza em todos os lugares do planeta e garantir o acesso de todos à educação, saúde, alimentação, segurança, lazer e oportunidades de crescimento.

2. Fome zero e agricultura sustentável: este objetivo consiste no alcance da segurança alimentar para todas as pessoas, além de uma melhor nutrição por meio da promoção de uma agricultura sustentável.

3. Saúde e bem-estar: sua meta é assegurar que todos os cidadãos tenham uma vida saudável e bem-estar, em todas as idades e situações.

4. Educação de qualidade: a educação deve ser acessível a todos, de modo inclusivo, equitativo e de qualidade. Além disso, deve promover a aprendizagem ao longo da vida.

5. Igualdade de gênero: todas as mulheres e meninas precisam se sentir empoderadas. A igualdade de gênero deve ser garantida em todos os setores da sociedade.

6. Água limpa e saneamento: o manejo sustentável de água e o saneamento devem ser garantidos a todas as pessoas.

7. Energia limpa e acessível: este objetivo procura garantir, a toda a sociedade, o acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável.

8. Trabalho decente e crescimento econômico: a orientação deste objetivo é promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, além das oportunidades de um emprego pleno e produtivo para todos.

9. Inovação infraestrutura: a infraestrutura das cidades deve promover uma industrialização inclusiva e sustentável, fomentar a inovação e gerar oportunidades de emprego. Além disso, deve integrar a sociedade para uso inclusivo dos espaços públicos.

10. Redução das desigualdades: este objetivo consiste na busca pela redução das desigualdades em todas as suas esferas.

11. Cidades e comunidades sustentáveis: as cidades e os assentamentos humanos deverão ser inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

12. Consumo e produção responsáveis: com apoio das instituições públicas e privadas, deverão ser assegurados padrões de produção e de consumo que sejam sustentáveis e conscientes.

13. Ação contra a mudança global do clima: deverão ser tomadas medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e reverter os seus impactos.

14. Vida na água: os ecossistemas aquáticos e recursos hídricos também devem ser respeitados, por meio da conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e rios.

15. Vida terrestre: o objetivo indica a proteção, recuperação e promoção do uso sustentável dos ecossistemas terrestres. E também o manejo sustentável das florestas, o combate contra a desertificação e a adoção de medidas para reverter a degradação do planeta e a perda da biodiversidade.

16. Paz, justiça e instituições eficazes: as sociedades deverão ser pacíficas e inclusivas, proporcionando para todos o acesso à justiça. As instituições devem ser eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

17. Parcerias e meios de implementação: o último objetivo prevê uma parceria global para a sustentabilidade, fortalecendo os meios de implementação.

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October 14, 2019

O cooperativismo de crédito e a regulação para a proteção de dados

Um novo e grande desafio se avizinha para as empresas brasileiras de todos os ramos. A Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD (Lei 13.709/18), que entra em vigor em agosto do próximo ano, estabelece direitos, deveres e princípios que deverão ser considerados sempre que houver algum tipo de tratamento de dados pessoais de consumidores e usuários de serviços. Essa legislação é aplicável a todos os setores da economia e a empresas com sede no exterior, como Facebook e Google, quando atuantes no País.

Os efeitos desse novo marco jurídico vão respingar fortemente no setor financeiro que tradicionalmente lida com dados extremamente sensíveis de seus clientes, e que vão muito além do nome e do registro dos seus documentos. Não podemos esquecer que bancos, cooperativas de crédito, financeiras e outras instituições atuantes nesse mercado coletam, armazenam, compartilham e, muitas vezes, também promovem o tratamento de informações extremamente pessoais, como é o caso dos perfis de crédito, dos ativos e das dívidas dos correntistas, sejam eles mutuários ou investidores.

Para lidar com a LGPD, as empresas brasileiras precisam iniciar, de imediato, o processo de adequação, que impõe preparação técnica e gerencial de modo a atender ao rigor da legislação. E isso é urgente, pois, segundo especialistas, esse trabalho pode durar de 6 a 12 meses e consumir pesados recursos humanos, tecnológicos e de governança, notadamente investimentos em segurança digital e treinamento.

Um bom planejamento para a implantação adequada da LGPD na organização não pode prescindir de etapas como definição de políticas e orçamento, mapeamento dos processos vinculados, adequação dos contratos, avaliação dos sistemas e capacitação dos funcionários dos níveis técnico, gerencial e de relacionamento com o cliente.

Lembro aqui que a nova legislação prevê pesadas sanções em face a seu descumprimento que incluem desde advertência, multa a até uma possível proibição das atividades relacionadas ao tratamento de dados pessoais. As multas podem chegar a até 2% do faturamento do ano anterior da empresa, limitadas a R$ 50 milhões, por infração.

Para exemplificar a “mão pesada da lei”, recentemente, no Reino Unido, país que já possui legislação em vigor, a British Airways foi multada pelo Information Commissioner’s Office (ICO) em mais de R$ 900 milhões por vazamento de dados pessoais de seus clientes, causado por invasão de seus sistemas por hackers.

Com relação às Cooperativas de Crédito, que atuam em mercado altamente fiscalizado e regulado e num ambiente de negócios cercado por medidas de segurança e proteção ao sigilo, com pesados investimentos em tecnologias e processos contra invasões e vazamentos – até pela natureza da atividade e dos serviços que oferecem -, urge redobrar a atenção e a prudência para se adequar tempestivamente à nova legislação e ao zelo do regulador Banco Central do Brasil.

O BCB, preocupado com a segurança e solidez do Sistema Financeiro Nacional e do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, divulgou, em abril de 2018, a Resolução CMN 4.658, que antecipa a necessidade, para as instituições financeiras, da gestão urgente do risco cibernético, preconizado pela LGPD.

A Resolução dispõe sobre a política de segurança cibernética e alguns procedimentos a serem adotados no momento de contratar serviços de processamento e armazenamento de dados e de computação em nuvem. Segundo o Diretor de Regulação do BCB, Otávio Damaso, a Resolução busca maior proteção do sistema financeiro frente aos riscos decorrentes da crescente sofisticação dos ataques digitais.

Para evitar situações adversas, como a que passou o Banco Inter, em maio de 2018, que sofreu vazamento dos dados de quase 20 mil pessoas, entre correntistas próprios e correntistas de outros bancos, vale a pena investir em ações preventivas e no cumprimento da legislação, evitando assim perdas financeiras e de credibilidade, muitas vezes irrecuperáveis.

Nesse sentido, a nova regulamentação, estabelecida na Resolução 4.658, é extremamente importante ao passar a exigir das instituições financeiras, incluindo as Cooperativas de Crédito, práticas efetivas na gestão de riscos, no compliance e controles internos dos dados capturados, bem como certificações de governança corporativa e de sistemas, especialmente nos casos em que há perigo de exposição de informações sigilosas dos correntistas e associados.

Os procedimentos operacionais exigidos pela Resolução em destaque envolvem desde a realização periódica de testes e varreduras para detecção de vulnerabilidades, até o uso de mecanismos de rastreabilidade, normas de segurança contra acessos não autorizados, controles de acesso da rede de computadores e a manutenção de cópias de segurança dos dados e das informações. Mas, atenção: é importante entender também que o atendimento a essas normas não é um compromisso exclusivo da área de TI. Todas as áreas devem ser envolvidas na constante busca por segurança cibernética, incluindo os colaboradores.

A Resolução 4.658 já está em vigor, sendo importante começar desde já, na sua cooperativa, as medidas internas para adequação à nova legislação, até porque não sabemos quando e de onde virá o próximo ataque cibernético que poderá ferir mortalmente o nosso negócio e expor nossos cooperados a situações por vezes vexatórias. Vale a reflexão: o quanto isso compromete a instituição? Como o descuido ou a falta de cuidado pode levar a impactos muitas vezes nocivos à imagem da empresa? Quais seriam os efeitos na credibilidade de todo o cooperativismo financeiro no caso de vazamento de informações sigilosas e estratégicas de cooperados?

Face à importância do tema e entendimento de todo o processo envolvido, advogados especializados na área estarão entre os palestrantes do 2º Fórum Integrativo Confebras, que será realizado nos dias 10 e 11 de outubro, no Centro de Convenções Parque Cidade Corporate, em Brasilia.

Afinal, a segurança e proteção de dados nunca esteve tão em evidência no cenário nacional, de forma a impactar a todos os setores, sem distinção. Nós, do segmento cooperativista, vamos unir forças para estar à frente deste desafio e trazer ainda mais segurança a todas as pessoas que utilizam os serviços de nossa rede em todo o País.

Kedson Macedo é Presidente da Confebras e Diretor Executivo na Cooperforte

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/10/o-cooperativismo-de-credito-e-a-regulacao-para-a-protecao-de-dados-por-kedson-macedo/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+CooperativasDeCreditoNoBrasilENoMundo+%28Portal+do+Cooperativismo+Financeiro%29

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July 10, 2019

A humanização é o que impulsiona o crescimento das cooperativas de crédito

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Com bancos tradicionais fechando agência e criando atendimentos por meio de robôs e uma onda de bancos digitais onde você nem sequer sabe o nome de seu gerente, as cooperativas de crédito oferecem como alternativa atendimento humano, empático e cordial.
De um lado, fintechs, bancos digitais, grandes investidores do Vale do Silício, vantagens para os usuários, grandes atrativos aos jovens e tecnologia de última geração. De outro, bancos centenários e tradicionais tentando se reinventar para se adequar aos novos tempos. Onde estão as cooperativas de crédito neste cenário?

Elas estão cuidando de gente. Literalmente. Enquanto os bancos e as grandes empresas enxugam suas estruturas físicas, automatizam o atendimento e buscam formas digitais para atingir públicos cada vez mais jovens, as cooperativas estão humanizando o atendimento, investindo em agências e no contato com as pessoas, inclusive as mais simples.

Um exemplo sintomático desse processo é a experiência de entrar em uma agência de uma das redes de cooperativas de crédito. A loja é projetada para não se parecer nada com um banco. “O propósito da nossa cooperativa é humanizar as relações financeiras e a gente trabalha fortemente com esse olhar. Recentemente, alteramos todo o layout das nossas agências, de forma que o cooperado não entre naquela casa e tenha um atendente atrás de um balcão e ele fique em uma fila esperando. Não temos mais balcões, trabalhamos no modelo co-working. Quando o cooperado entra na sala, ele é recebido por um colaborador, vai com ele até um espaço de café, levando seu computador, e atende o cooperado nos vários espaços à disposição, com design arrojado, leve, colorido e alegre. Isso tem feito uma grande diferença e ouvimos de nossos cooperados que eles vêm porque se sentem bem. Além de todos os benefícios da cooperativa, com a não cobrança de tarifas e taxas muito mais baixas, existe este valor do atendimento pessoal, que é muito importante para resolver tudo o que é necessário”, diz Solange Pinzon De Carvalho Martins, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Meridional, cooperativa de Toledo (PR).

Cenário positivo
Atualmente, as cooperativas de crédito brasileiras contam com mais de 10 milhões de associados, entre pessoas físicas e jurídicas. Já são 5,4 mil postos de atendimento, que representam 16% de todas as agências bancárias em território nacional, com presença em 2.500 cidades Brasil afora.

“As pessoas estão enxergando o valor das cooperativas de crédito. O cliente bancário brasileiro está carente de bons serviços a preços justos, juros baixos e atendimento personalizado. Ao conhecer a cooperativa e enxergar todo esse benefício, ele ainda se depara com o tratamento próximo e atendimento diferenciado. Com isso, a tendência é que essa força aumente e seja cada vez mais presente no Brasil. A revolução digital chegou e as cooperativas de crédito têm um papel muito importante nessa onda também, usando as ferramentas mais modernas para o atendimento e suas operações. Vejo um futuro muito promissor”, diz Camila Viana, pesquisadora e professora universitária especialista em Cooperativismo.

Além dos atributos que atraem o grande público também nos centros urbanos, as cooperativas aproveitam um momento especial do mercado. O consultor Carlos Alberto dos Santos, da Cosinergia Finanças, crê que o cooperativismo tem um papel importante a cumprir. Recentemente, em sua palestra na Conferência Internacional de Inovação, realizada no Paraná, ele pontuou este momento de evolução: “Os bancos digitais têm espaço, vão crescer muito. Mas as cooperativas existem há 170 anos e estão absorvendo as mudanças da sociedade há muito tempo. Com a era digital, tudo ganhou velocidade, os processos de mudança são muito rápidos e profundos. Eu acredito que o futuro das cooperativas é muito promissor”.

Santos acredita que o aparecimento das novas modalidades não ameaça sua existência. Pelo contrário. “Os bancos tradicionais estão reduzindo sua presença física, fechando agências e isso tem aberto oportunidades no mercado. As cooperativas começam a ocupar fisicamente o espaço deixado pelos bancos e isso é muito emblemático”. Segundo o consultor, os bancos estão reduzindo de forma acelerada o relacionamento com os clientes e isso vai ter seu preço, “pois as pessoas querem um tratamento diferenciado”.

Agenda BC
Junto com essa onda de oportunidades, as cooperativas de crédito ainda vivem um momento propício do ponto de vista da regulação do Banco Central. Com o lançamento da Agenda BC, na qual o governo estabelece um compromisso com a inclusão, a competitividade, a transparência e a educação financeira, o papel das cooperativas fica ainda mais importante.

Essas novas diretrizes do Banco Central ajudam no trabalho de inclusão do público de baixa renda no sistema bancário, no crédito rural, na educação financeira, e na busca do fomento da produção rural e das pequenas empresas.

Além disso, o governo tem editado resoluções, por meio do BC, que facilitam o trabalho das cooperativas. Exemplos são a Resolução 3.106/2003, que estabelece a livre admissão de associados, a Lei Complementar n°130/2009, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), a e as resoluções que estabelecem regras de governança, nova segmentação e eliminação de restrições ao quadro associativo das cooperativas.

Assim, utilizando-se de seu legado de atendimento personalizado, presença local e relações sustentáveis, as cooperativas de crédito estão fazendo uso das tecnologias, das transações digitais e dos aplicativos e somando tudo isso aos princípios do cooperativismo para estabelecer uma nova era no mercado de crédito.


Panorama do sistema nacional de crédito cooperativo
As cooperativas aumentaram sua presença por meio de unidades físicas próprias em 7% no ano, alcançando 92% dos municípios da região Sul e 58% da região Sudeste.

•A quantidade de cooperados cresceu 9%, com taxa de crescimento de aproximadamente 18% das empresas e 8% das pessoas físicas.

•O crescimento da carteira de crédito do SNCC intensificou-se em 2018, em alinhamento com o atual movimento de recuperação da economia. O crescimento anual atingiu 23% em dezembro de 2018.

•As captações de depósitos de associados no SNCC cresceram aproximadamente 18%.

•Apesar de o estoque do sistema cooperativo representar apenas 7,9% do total de crédito varejo, sua atuação contribuiu significativamente na recente retomada do crédito.

•Em 2018, as cooperativas atuaram principalmente no crédito rural e no crédito pessoal sem consignação na carteira de pessoas físicas, e apareceram como forte opção para pequenas e médias empresas.

•Em valores agregados, as cooperativas singulares continuaram com PR (Patrimônio de Referência) suficiente para cumprir com folga as exigências mínimas estabelecidas pelas normas em vigor.

•A qualidade dos ativos de crédito das cooperativas é superior ao restante do SFN, mas essa diferença tem diminuído ao longo do tempo. Após queda em 2017, a cobertura dos ativos problemáticos do SNCC aumentou em 2018 e está em linha com a média do SFN.

•O Índice de Basileia (IB) das singulares caiu de 30% para 27%, resultante principalmente de mudança normativa e de alteração na composição dos ativos, consistente com o aumento da participação das operações de crédito no ativo dessas cooperativas.

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January 10, 2019

Futuro de liderança

Programa do Sescoop qualifica jovens de 21 a 35 anos para fortalecerem a economia do país.

O sonho de muitos jovens é o de concluir o curso superior e, imediatamente, colocar à prova o conhecimento adquirido ao longo da graduação. Mas, na prática, isso não acontece com tanta frequência, o que exige ainda mais criatividade para, finalmente, conquistar o tão sonhado espaço no mercado de trabalho. No universo cooperativista, a dinâmica é outra. Isso porque o setor se preocupa com a qualificação de sucessores. Pensando nisso, o Sescoop – o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – acaba de selecionar 35 jovens para a primeira turma do programa Somos Líderes.

Direcionado ao público jovem (de 21 a 35 anos), o projeto atende à missão da Instituição: promover a cultura cooperativista e o aperfeiçoamento da gestão para o desenvolvimento das cooperativas brasileiras. A lista com os nomes dos 35 selecionados está no site do Sescoop. O programa foi lançado em agosto deste ano e, ao todo, 1.553 moças e rapazes, moradores de todas as regiões do Brasil, se inscreveram na seleção.

“A iniciativa é mais uma oportunidade de colocar em prática a expertise que o Sescoop tem desenvolvido em prol da profissionalização da governança cooperativista. Devido ao seu elevado nível, o programa representa um marco na história da Instituição na medida em que forma jovens com as habilidades específicas para atuarem nas cooperativas brasileiras. Mais do que conhecer o cooperativismo, esses jovens vão vivenciar e divulgar a prática da cooperação, fortalecendo, ainda mais, o nosso modelo de negócios”, comenta o superintendente do Sescoop, Renato Nobile.

OBJETIVO

A expectativa é de que, a partir dessa iniciativa, sejam formadas lideranças conscientes e engajadas com o cooperativismo. Agora, os jovens aguardam o primeiro encontro do programa que vai ocorrer no dia 8 de outubro, na cerimônia do Prêmio SomosCoop – Excelência de Gestão, em Brasília.

ENSINO INOVADOR

O curso foi elaborado com metodologia inovadora por adotar soluções digitais, como a gameficação e as trilhas de aprendizagem online – recurso utilizado já no momento das inscrições. Essa formatação propicia um estudo mais livre, seguindo a ideia da heutagogia, onde o aluno é capaz de gerir o próprio aprendizado.

METODOLOGIA

Até abril de 2020, os participantes terão aulas virtuais e presenciais de assuntos como Tendência, Inovação e Liderança; Liderança no contexto cooperativista; Liderança no contexto organizacional; Liderança no contexto social; e Liderança no contexto político. Cada um desses módulos conta também com a disponibilização de conteúdo via podcasts, encontros virtuais em webnários e mentorias individuais.

Os módulos presenciais serão realizados em Recife (PE), Chapecó (SC), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF). Todas as despesas com deslocamento, hospedagem e alimentação correm por conta do Sescoop. Com o intuito de viabilizar a concretização do aprendizado, estão previstas visitas técnicas a instituições e organizações que implantaram e que colocam em prática o conteúdo desses módulos.

COOPERANDO

E para provar que o cooperativismo é um modelo econômico capaz de aliar a experiência à vontade de aprender, os jovens também contarão com o acompanhamento dos dirigentes de cooperativas reconhecidas pelo Prêmio SomosCoop Excelência de Gestão, que vão atuar como mentores e fontes de inspiração, durante dois anos.

O programa Somos Líderes é uma iniciativa do Sescoop e conta com o apoio da consultoria HSM e da agência Eureca.

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/09/futuro-de-lideranca/

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