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February 12, 2019

Juros do cheque especial passam a ser limitados a 8% ao mês

Novas regras entram em vigor a partir de 6 de janeiro de 2020.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou resolução nesta quarta-feira, 27, que muda o desenho do cheque especial, estabelecendo que a taxa de juros do produto não poderá superar 8% ao mês — cerca de 150% ao ano. Isso é menos da metade dos juros anuais cobrados em média atualmente.

Em compensação, a resolução também permitirá que as instituições financeiras cobrem tarifa pela disponibilização de limite de cheque especial, sendo vedada a cobrança para limites de crédito de até 500 reais, informou nota divulgada pelo Banco Central. O presidente do Conselho é Paulo Guedes, ministro da Economia — o órgão é composto pelo Ministro da Economia, pelo Secretário Especial de Fazenda e pelo presidente do Banco Central.

Para limites superiores a esse montante, poderá ser cobrada tarifa mensal de até 0,25% sobre o valor do limite que exceder 500 reais. De acordo com o BC, a tarifa deverá ser descontada do valor devido a título de juros de cheque especial no respectivo mês. O BC defendeu que a medida irá tornar o cheque especial menos regressivo e mais eficiente.

 

FONTE: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/11/juros-do-cheque-especial-passam-a-ser-limitados-a-8-ao-mes/

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November 25, 2019

Relatório de Estabilidade Financeira do Bacen traz dados do cooperativismo

Em sua recente atualização, o Relatório de Estabilidade Financeira do Bacen trouxe em sua página 63 as seguintes informações:

“O mercado das cooperativas de crédito:

O estoque de crédito do Sistema Nacional de Cooperativas de Crédito (SNCC) tem crescido consistentemente acima do SFN nos últimos cinco anos – em junho de 2019, a taxa de crescimento anual alcançou 26% a.a., o dobro do crescimento observado no segmento de bancos privados. A representação do SNCC é de 4,5% do total do estoque de crédito, porém, ao considerar os nichos de mercado nos quais atuam, a representatividade do SNCC aumenta para 8,7% do crédito. Ainda que possua uma baixa participação do total do estoque de crédito, o SNCC teve papel anticíclico importante no recente período de retração econômica, principalmente para nichos de mercado como as PMEs e os produtores rurais. A presente análise busca contextualizar esse fenômeno, avaliando o perfil da carteira e a evolução do risco de crédito no segmento cooperativo.

Se, do ponto de vista de oferta, a expansão do SNCC proporciona um efeito positivo sobre a economia, sob a ótica de risco o aumento da carteira, suscita questões sobre a qualidade das concessões. No agregado, a expansão da carteira de crédito do sistema cooperativo ocorrida nos últimos três anos não foi acompanhada de uma piora da qualidade dos ativos. Observa-se que a participação dos ativos problemáticos na carteira do SNCC é consistentemente menor que o SFN, e que a deterioração ocorrida entre 2014 e 2016 acompanhou a tendência geral do mercado.

Na carteira de PF, o patamar mais baixo dos ativos problemáticos do SNCC em relação ao SFN reflete principalmente a concentração da carteira em tomadores de menor risco. A participação dos ativos problemáticos na carteira de PF do SNCC se estabilizou no último semestre, diferente do pequeno aumento observado na carteira de PF do restante do SFN.

A participação da carteira em tomadores com renda acima de dez salários mínimos é maior no SNCC, alcançando quase três quartos do total, contra 41% no SFN. A carteira de crédito do SNCC também tem um perfil diferente do SFN em relação à modalidade, com quase metade formada por operações de crédito rural, ativos que geralmente se caracterizam pelo baixo nível de risco. Por outro lado, a participação das operações de crédito pessoal não consignado, que têm risco mais elevado, é relevante na carteira de crédito do SNCC (21% do total).

Quando se consideram as características do produtor rural, observa-se que a dominância da faixa de renda mais alta pode ser atribuída ao fato de que a avaliação de rendimentos desse segmento está mais ligada ao faturamento da atividade rural do que ao montante efetivamente disponibilizado para o sustento familiar. Não obstante, a participação dos tomadores de renda mais alta também é observada nas operações de modalidades diferentes de crédito rural e agroindustrial e para cooperados que não são produtores rurais. A concentração das concessões em tomadores de renda média maior reflete positivamente no nível de risco da carteira de crédito.

A evolução dos ativos problemáticos por faixa de renda mostra que o risco da carteira no SNCC é similar ao do SFN em todos os segmentos, com exceção da faixa mais alta. Para tomadores com renda superior a dez salários mínimos, a participação dos ativos problemáticos no SNCC é inferior ao SFN, mas a diferença vem diminuindo nos últimos dois anos. Essa análise corrobora a avaliação de que o menor risco na carteira do SNCC é determinado, em grande parte, pela participação elevada de créditos concedidos a cooperados de renda mais alta.

Na carteira de PJ, a participação dos ativos problemáticos seguiu trajetória de deterioração similar ao SFN até o início de 2017. A partir daquele ano, houve significativa redução do risco das pequenas e médias empresas, enquanto a deterioração das grandes empresas manteve o nível de risco em patamares elevados. Por estar concentrada em empresas de pequeno e médio portes, a carteira do SNCC apresentou maior redução de risco que o SFN nesse período.

O perfil da carteira de crédito de PJ do SNCC também se mostra bastante diferente do SFN, tanto em relação ao porte das empresas quanto às modalidades utilizadas. As micro e pequenas empresas representam 78% da carteira de crédito a PJ do SNCC, enquanto no SFN essa proporção é de 36%. Também se destaca a participação das operações da modalidade capital de giro, que representam 53% da carteira de PJ do SNCC, bem superior ao observado no SFN (19% da carteira).

A evolução do risco de crédito da carteira de PJ do SNCC é positiva, uma vez que apresenta trajetória de redução desde 2017 e nível inferior ao do SFN em todos os portes de empresas. No entanto, observa-se que esse ciclo de melhoria dá sinais de que está se encerrando nos dois principais portes de empresas da carteira do SNCC. Nas pequenas empresas, o ritmo de queda dos ativos problemáticos vem desacelerando desde 2018, enquanto, nas microempresas, esse indicador já mostra pequeno crescimento nos últimos meses.

O risco das três principais modalidades de atuação das cooperativas, expresso pela participação dos ativos problemáticos na carteira, apresenta comportamentos distintos quando comparado ao SFN. Nas modalidades de crédito não consignado para PF e capital de giro para PMEs, aumentos recentes na proporção de ativos problemáticos mostram que o risco das carteiras do SNCC é similar ou até superior ao do SFN. Já na carteira de crédito rural para PF, o risco das carteiras do SNCC se mostra estável em patamar bastante inferior ao observado no SFN.

A análise realizada somente com os clientes que possuem operações de crédito rural tanto no SFN quanto no SNCC corrobora esse comportamento. Para esse grupo de tomadores, a participação dos ativos problemáticos na carteira de crédito em junho de 2019 alcançou 1,1% no SNCC e 2,7% no SFN, o que evidencia o menor risco dos produtores rurais no sistema cooperativo. Cabe ressaltar que esse não é um comportamento generalizado dos cooperados, mas específico da modalidade de crédito rural. A mesma análise mostra que, na modalidade capital de giro, os níveis de ativos problemáticos são semelhantes no SNCC e no SFN, enquanto, na modalidade crédito pessoal não consignado, já se observa uma materialização de risco maior no SNCC.

A forte expansão da carteira de crédito do SNCC nos últimos anos não comprometeu a qualidade dos ativos.

Para a carteira de pessoa física (PF), a elevada participação de tomadores de alta renda na carteira, especialmente produtores rurais, contribui para manter o nível de risco da carteira inferior ao observado no SFN.

Para a carteira de pessoa jurídica (PJ), a concentração da carteira em empresas de menor porte, que tem sua rentabilidade associada ao ciclo econômico, resultou em significativa redução dos ativos problemáticos nos últimos anos.

Por fim, assim como destacado para o SFN, tanto nas operações de pessoas físicas quanto nas de pessoas jurídicas, os dados apontam para o fim do ciclo de redução dos ativos problemáticos.”

 

 

 

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/10/relatorio-de-estabilidade-financeira-do-bacen-traz-dados-do-cooperativismo/

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August 11, 2019

Cooperativismo é a única saída para a humanidade

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Em uma sociedade marcada pelo individualismo e pela competitividade desenfreada, o cooperativismo aparece como um das formas sustentáveis para a manutenção de um relacionamento saudável das pessoas na busca por objetivos em comum, segundo o professor e filósofo Mario Sergio Cortella.

Autor de vários títulos sobre comportamento humano e questões sociais na atualidade, Cortella esteve no Estado recentemente para falar sobre a importância da responsabilidade social nas organizações para empresários de Venda Nova do Imigrante, a convite do Sicoob Sul-Serrano.

Ele ainda destacou, nesta entrevista exclusiva para a assessora de imprensa do Sicoob ES, Vera Caser, a importância da união como fator vital para a conquista de resultados duradouros e sustentáveis nos negócios e na vida em sociedade.

Confira a entrevista abaixo:

Professor Cortella, nesse mundo cada vez mais competitivo, o que as pessoas podem fazer para que a sociedade seja um pouco melhor?

O primeiro passo é entender algo que disse um dia Mahatma Gandhi, quando ele afirmou: “Olho por olho e uma hora acabamos todos cegos”. Portanto, há um limite para a competitividade. Ela precisa ser olhada como uma forma de estímulo ao aumento da nossa capacidade de ação, de trabalho e de produção, mas não pode ser a autofágica, destrutiva.

Ela não pode, de maneira alguma, ameaçar nossa capacidade colaborativa, porque nós somos animais muito agregados nas nossas relações de dependência. Deste modo, essa competição desarvorada, embora produza momentaneamente um nível de riqueza para uma parte das pessoas de maneira mais vigorosa, destrói parte do futuro, pois coloca uma condição que acaba gerando perturbações à vida em comunidade.

A competitividade também deixa um rastro de confrontos que acabam eliminando as condições de convivência. Por isso, a colaboração é uma marca que a gente pode ter.

Eu acho que uma das coisas que a gente deve formar, especialmente nas crianças e depois nos adultos, é a percepção de que na vida a regra jamais deve ser cada um por si e Deus por todos. Tem quer ser um por todos e todos por um.

Este é um movimento que melhora a condição de um futuro que seja muito mais integrado, mais feliz e que tenha uma abundância que não seja mero acúmulo.

O senhor poderia dar três dicas que as pessoas conseguiriam seguir no trabalho e que as ajudariam a criar um ambiente melhor no ambiente corporativo?

– A primeira dica é tentar organizar não apenas uma equipe de trabalho, mas uma turma.

Quando você estava na escola básica, tinha a sua turma. Você cresceu e hoje tem a sua turma de amigos, do clube, a turma de afeto, etc. A turma é aquela em que a gente dá o sangue pelo outro. Enquanto você tiver alguém da sua turma, pode ser que horário for, eles vão te socorrer ou estar onde você precisa. O espírito de turma é algo que é muito mais conectado do que o de equipe.

– A segunda delas é entender que hoje em dia a noção de competência tem que ser mais coletiva.

Há 30 anos, eu diria que a minha competência acaba quando começa o do outro. Hoje não mais. A minha competência acaba quando acaba a do outro, seja num grupo, numa área ou numa diretoria de uma cooperativa. Se alguém perde competência, eu perco. Se alguém ganha, eu ganho. Por isso, a regra mais inteligente para quem deseja estar no campo é: quem sabe reparte e quem não sabe procura, porque se alguém sabe algo e não reparte isso, ele enfraquece o grupo e a si mesmo. Se alguém não sabe algo e não pergunta, enfraquece a si mesmo, enfraquecendo também o grupo.

– A terceira grande condição é a presença da alegria.

O contrário de seriedade não é alegria, e sim descompromisso. Um grupo compromissado é aquele que se dedica à intenção do atingimento de metas e que faz aquilo que é necessário para o sucesso, sem perder a alegria. Ela move em nós energias que aumentam não só o nosso bem-estar, mas também a possibilidade de estarmos juntos de um modo que seja mais admirável. Claro que a alegria não é ficar brincando o tempo todo. A alegria é a possibilidade de não recusar os momentos em que a comemoração, o reconhecimento e a festividade devem vir à tona.

E na família, como os pais podem conservar a harmonia e um bom clima com os filhos para conseguirem competir com a internet e com as influências externas?

É uma consideração e uma orientação. A consideração é que a família não é e nem deve ser uma democracia. Adultos que entendam a família como uma democracia costumam fracassar no processo de formação dos filhos.

Uma democracia pressupõe direitos e deveres iguais. Numa família, os adultos responsáveis por crianças e jovens são as autoridades. Não há direitos nem deveres iguais. Que exista dignidade e respeito, não democracia, isto é, adultos que têm a tarefa de comandar, sem brutalidade e sem nada que arrisque a dignidade da outra pessoa, mas com firmeza naquilo que fazem.

Muitos pais acabam tendo uma submissão aos seus filhos e geram uma convicção muito perigosa nos jovens de que desejos são direitos. Desejos não são direitos, e sim vontades que precisam ser realizadas a partir de esforço.

Na minha casa, fizemos, quando meus filhos eram pequenos, a cada três meses, a semana sem micro-ondas, o que nos fazia ter que tomar todas as refeições daquela semana em conjunto. No começo, isso produzia um distúrbio, mas, aos poucos, aquilo se tornou um prazer imenso.

Outra coisa que fiz com os meus filhos e faço com os meus quatro netos é ensiná-los a cozinhar, desconectando-os e gerando neles a satisfação de terminar um prato, de ajudar, a servir e ouvir o outro dizer o que achou. É claro que você não vai colocar uma criança de quatro anos para manipular uma faca, mas ela pode lavar o tomate, descascar a mexerica, catar o feijão, e se envolver naquilo.

É muito comum você ter famílias que colocam os filhos para participarem da elaboração. A cozinha exige paciência, e o desenvolvimento dessa virtude faz com que a gente se desconecte daquilo que é desnecessário.

Você acha viável uma família propor uma semana sem internet, por exemplo?

Não tem necessidade, porque a internet está muito conectada ao nosso modo de vida, comunicação, capacidade de vigilância e trabalho. Mas, pode-se fazer com que ela seja colocada de um modo que não é contínua. Há muitas pessoas que já fazem isso hoje. Eu conheço muitos jovens de 18, de 20 anos que, quando chegam num restaurante, por exemplo, ou numa balada, fazem uma combinação de todos deixarem os celulares sobre o centro da mesa. Ou seja, é possível interromper a rotina de maneira que possamos ter outros olhares.

Como o cooperativismo pode contribuir para a transformação do meio em que vivemos?

O cooperativismo é a única alternativa que nós temos para não desagregar o conjunto da humanidade. Há muitas sociedades que são cooperativas, mas nas quais não há janelas para o termo cooperativismo. Eu conheço muitas comunidades – especialmente em nações indígenas no Brasil ou mesmo em grupos na África, nas sociedades tribais – que têm uma vida cooperativada, sem que haja o conceito formal ou a necessidade de organização de uma estrutura.

No conjunto da humanidade, o cooperativismo, com a sua percepção de trabalhar junto, de colaborar e de partilhar o resultado daquilo que tem, é a única maneira que temos de não apodrecer nossa condição de vida coletiva. Por isso, é sempre uma forma de orientação daquilo que vai impedir a falência da nossa capacidade de vida em conjunto. Portanto, não é isento de questões, problemas e turbulências. Mas, tal como disse Churchill, que a democracia é o pior dos modos de governo, exceto todos os outros, nós também podemos dizer que o cooperativismo é a pior forma de trabalho em conjunto, exceto todas as outras.

fonte: http://www.mundocoop.com.br/entrevista/mario-sergio-cortella-cooperativismo-e-a-unica-saida-para-a-humanidade.html

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